Na Estante

Crônica de uma Morte Anunciada (Gabriel García Márquez)

Segunda-feira. Santiago Nasar se levanta exatamente às 5h30 da manhã. Ainda exausto pela festança de casamento ocorrida no povoado na noite anterior, ele toma seu café e se apronta para a passagem do bispo no porto da cidade. Mal sabe que, dentro de poucas horas, será assassinado…Já na primeira linha de Crônica de uma Morte Anunciada somos avisados sobre o trágico destino do personagem Santiago Nasar. Ele é acusado de ter deflorado uma moça recém casada, e os dois irmãos da mesma, Pablo e Pedro Vicário, estão decididos a vingar sua honra. Aparentemente todos os moradores do bairro tomam ciência do crime que está prestes a acontecer, mas ninguém tem a audácia de avisar Santiago sobre o perigo iminente.

Com uma narrativa elaborada nos moldes jornalísticos, a história é contada através dos relatos das testemunhas que estiveram próximas a Santiago Nasar no último dia de sua vida. Isso cria espaço para muitos questionamentos: Quem está mentindo? Quem é o verdadeiro culpado?

“Mas a maioria dos que puderam fazer alguma coisa para impedir o crime e, apesar de tudo, não o fizeram, consolou-se com invocar o preconceito de que as questões de honra são lugares sagrados aos quais só os donos do drama têm acesso.”

A escrita de Gabriel é tão fluída e instigante que nos faz devorar ferozmente as páginas, mesmo já sabendo o desfecho. Ele consegue transformar uma história tão trágica em algo belo, e até mesmo poético. Além de que traz diversas críticas morais e reflexões acerca da justiça na sociedade. Concluímos que a responsabilidade pela morte de Santiago não coube apenas aos assassinos diretos, mas também aos moradores do bairro que, por indiferença/ignorância, não fizeram nada para evitá-la. Não é muito diferente do que vemos hoje em dia, não? Todos os dias somos bombardeados com tragédias dessa espécie, mas continuamos tocando nossa vida em frente, ignorando nosso próximo. É fácil esquecer uma dor que não é nossa.

“-Santiago, filho -gritou-lhe- que houve com você?

Santiago Nasar reconheceu-a. 

-Me mataram, querida Wene -disse.

Tropeçou no último degrau, mas se levantou imediatamente. […] Depois entrou em sua casa pela porta dos fundos, que estava aberta desde as seis horas, e desabou de bruços na cozinha.”

Você pode ler Crônica de uma Morte Anunciada gratuitamente aqui.

Obrigado por tudo, pessoal!

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6 comentários em “Crônica de uma Morte Anunciada (Gabriel García Márquez)

  1. Não sei o que é mais incrível, Fernanda, suas palavras ou suas fotos. Já li esse post umas seis vezes e ainda me pego encarando as imagens de boca aberta, e o texto então? Foram poucas palavras, mas, sinceramente, não tenho adjetivos suficientes para elogiá-lo adequadamente :O

    1. Eu nem sei como agradecer por comentários tão incríveis como os teus! Sério! Muito obrigada 🙂 Volta e meia eu me sinto insegura com as coisas que escrevo, e receber feedback’s tão bons como esse me motiva demais. Mais uma vez, meu muito obrigadaaa!

      1. Que nada, Fernanda, você escreve incrivelmente bem! Tanto que me enrolo todo quando vou comentar e acabo falando demais; ainda bem que estou resistindo bravamente à tentação de elogiar todos as suas postagens cada vez que releio elas, iria parecer spam, sei lá (:
        Espera, falei demais de novo, foi mal :~

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