Na Estante

Rita Lee: uma autobiografia

Dois meses sem escrever nada…que retrocesso! Mas como é do meu feitio arrumar desculpas para tudo, aqui vai minha justificativa: estou me dedicando na leitura de um calhamaço, consequentemente não tenho muitas leituras novas para comentar aqui. E aproveito para culpar também o bloqueio criativo que, por dezenas de vezes, me impediu de escrever sobre qualquer outra coisa. Mas deixa eu terminar meu discurso de defesa por aqui, pois me encontro agoniada pra falar sobre um dos livros mais deliciosos que já li até hoje…

SAMSUNG CAMERA PICTURESEstava ansiosíssima para ler a autobiografia da Rita Lee, desde o lançamento (que aconteceu em novembro do ano passado). Eu não sabia muito bem o que iria encontrar, mas acabou sendo uma experiência surpreendentemente agradável!

SAMSUNG CAMERA PICTURESEm capítulos curtinhos, a Rita narra, da forma mais despretensiosa possível, flashbacks de sua vida. Partindo da infância no casarão da Rua Joaquim Távora, 670, na Vila Mariana, ela descreve as peraltices que praticava junto com as irmãs, os primeiros contatos com a música, a criação da mais importante banda de rock psicodélico brasileira, Os Mutantes, em conjunto com Arnaldo e Sérgio Baptista e sua posterior expulsão da mesma…o envolvimento com drogas pesadas, a prisão em 76, e, é claro, o encontro com Roberto de Carvalho, seu amor-perfeito-muso-parceiro, com quem firmou uma eterna parceria e consolidou uma carreira de inúmeros sucessos.

Sem papas na língua, ela esbanja sinceridade e não poupa nem a si mesma das criticas:

“Não faço a Madalena arrependida com discursinho antidrogas, não me culpo por ter entrado em muitas, eu me orgulho de ter saído de todas.”

SAMSUNG CAMERA PICTURESO que torna essa autobiografia mais do que especial, é o fato dela ter sido totalmente pensada e montada pela própria Rita. “Ela cuidou de tudo. Escreveu, escolheu as fotos e criou as legendas – e até decidiu a ordem das imagens -, fez a capa, pensou na contracapa, nas orelhas… Entregou o livro assim: prontinho. Sua essência está nessas páginas…” é o que diz Guilherme Samora, jornalista e estudioso do legado cultural de Rita Lee, e intitulado por ela mesma de O Colecionador de Mim. Ele aparece entre um capítulo e outro, na figura do fantasminha Phantom, trazendo informações extras sobre a carreira da cantora e corrigindo outras (já que a memória da Rita não é lá das melhores).

SAMSUNG CAMERA PICTURESA escrita da Rita é tão fluída e espontânea, que até mesmo os temas mais pesados (como as overdoses por consumo excessivo de drogas, alcoolismo e um abuso sexual que sofreu na infância) são narrados com leveza. Ao longo das páginas, a gente se sente como em um bate-papo descontraído com essa personalidade tão singular. Ao terminar o livro, a vontade que eu tive foi de sair escutando toda a discografia dessa mulher – e foi o que eu fiz durante as semanas conseguintes!

SAMSUNG CAMERA PICTURESRecentemente a Rita se aposentou dos palcos (50 anos de carreira, não é mole não!) e tem passado seus dias em uma casa de campo, desfrutando da velhice, dos seus bichos, e da família. Ela garante que continua compondo e criando arte, e parece que está escrevendo um novo livro também… já estou ansiosa pra ler!

SAMSUNG CAMERA PICTURESTa aí, uma leitura mais do que recomendadíssima pra quem gosta da Ritinha. Ícone da libertação feminina, quebradora de tabus, ela provou que não precisa ter culhão pra fazer rock. Ela é maravilhosa demais!

SAMSUNG CAMERA PICTURESOnde encontrar Rita Lee: Uma AutobiografiaAqui.

Obrigado por tudo, pessoal!

author_nanda

 

 

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2 comentários em “Rita Lee: uma autobiografia

  1. Antes de mais nada: bem vinda de volta, Fernanda! Seus textos fizeram muita falta (aparecia aqui de vez em quando para relê-los, como alguém que visita, saudoso, um memorial magnífico… Yeah, sua ausência foi sentida de forma bem dramática).
    Agora, que resenha incrível! Já disse dezenas de vezes que sou fã das suas fotografias e do jeito que você escreve, e acrescentarei mais algumas dezenas de repetições porque wow! Seu nível de aperfeiçoamento a cada post é simplesmente surreal!.
    Apesar de ter crescido ouvindo minha mãe ouvir as músicas da Rita Lee quase que diariamente, ela não fez parte da minha playlist, por assim dizer, oficial – mas acho que isso foi culpa minha e não dela, é muita coisa para se ouvir, acabo esquecendo de alguém algumas vezes -, mas definitivamente vou procurar esse livro para ler 🙂

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